terça-feira, 19 de novembro de 2013
Aluna: Camila Regina 3ºA
O filme “Um conto chinês” conta a história de um homem chamado Roberto que tornou-se recluso, mal-humorado e, por causa de seu pai, desenvolveu o costume peculiar de colecionar matérias de jornais sobre acontecimentos surpreendentes e inesperados. Com uma rotina inflexível desde o momento em que volta da guerra para casa e percebe que seu pai tinha morrido, ele encontra um chinês perdido e que não sabe falar espanhol, o que dificultou a comunicação entre os dois.
Com a intenção de ajudar o chinês, que mais tarde descobre que se chama Jun, a encontrar o tio, Roberto deixa-o passar um tempo em sua casa enquanto o Consulado Chinês tenta descobrir onde o tio de Jun está, já que o tio não se encontrava mais no endereço que o sobrinho possuía.
Com o desenrolar da história o protagonista, que tinha a crença de que as matérias dos jornais eram a prova de que os acontecimentos da vida não possuem sentido, terminou por perceber que, mesmo as situações mais estranhas e inesperadas, possuem um significado, uma importância e sempre podendo ser utilizadas como fonte de aprendizado.
O filme “A nostalgia da luz” é um documentário sobre o Chile, fazendo uma comparação entre as pesquisas de astronomia no deserto do Atacama com um grupo de mulheres que dedicam seus dias na procura dos esqueletos dos seus parentes sumidos nesse mesmo deserto durante o período de ditadura.
Muitos acontecimentos permanecem inexplicáveis sobre o que ocorreu durante a ditadura no Chile: muitos documentos foram destruídos e pessoas, desaparecidas. Existiam prisões no meio do deserto para pessoas que iam contra o regime ditatorial, muitas pessoas foram assassinadas e seus corpos supostamente foram lançados ao mar, mas muitas mães, irmãs e esposas não conseguem trazer paz aos seus espíritos enquanto não encontrarem seus entes queridos e dá-los enterros descentes.
Um dos astrônomos compara a sua busca pela verdade sobre o universo com a busca dessas mulheres por seus parentes e chega a conclusão de que a verdadeira diferença é que os astrônomos pesquisam isso por curiosidade e que eles conseguem dormir em paz a noite, enquanto as mulheres que vagam pelo deserto em busca de esqueletos fazem isso pois não conseguem ter essa paz enquanto seus falecidos parentes não possam tê-la também.
No filme “O gigante”, Jara, um segurança de um mercado, enquanto observa as câmeras de segurança, percebe uma mulher e termina por apaixonar-se por ela. Depois de começar a observá-la, o segurança altera a sua rotina e começa a segui-la, percebendo que ela divide seu tempo entre o trabalho, exercícios físicos e momentos de lazer.
Por causa dessa mulher, que mais tarde ele descobre se chamar Julia quando cria um plano para conseguir sua ficha no mercado, Jara começa se exercitar e descobre que os dois possuem o mesmo gosto musical através de um homem que Julia encontrou na internet e marcou de se encontrar, mas que o encontro não foi bem sucedido.
Sem coragem de falar com ela, o segurança evita ser visto por Julia, admirando-a secretamente e temendo que ela estivesse interessada em um colega no trabalho. Quando seu amor platônico é despedido, ele destrói objetos do mercado para perder o emprego e, depois de
muito tempo apenas observando-a, Jara decide, finalmente, conversar com Julia, superando sua timidez.
Apesar de serem filmes aparentemente muito diferentes, todos fazem referência ao tempo: no caso de Roberto e Jara, ambos vivem em uma rotina muito restrita, como se estivessem parados no tempo. No caso do filme “A nostalgia da luz” é como se existisse um pedaço da história do Chile faltando e, enquanto existem pessoas dedicadas a descobrir mais sobre o passado do próprio país, também existem pessoas dedicadas e descobrir mais sobre passados ainda mais remotos.
No filme “O gigante”, Jara tem receio de interagir com Julia, evitando interagir com ela e tomar qualquer iniciativa para que eles fiquem juntos no futuro, ficando preso em uma situação de amor platônico, da mesma forma que Roberto, que estava interessado em uma mulher, não conseguia sair desse tipo de “prisão”, sem iniciativa para modificar o futuro.
Nos três filmes as histórias falam de pessoas presas ao passado, por diferentes motivos, que levam-nos a ter uma rotina imutável que, no caso de Jara e Roberto, não traz felicidade, e faz com que eles sintam, no final dos respectivos filmes, que precisam fazer algo para escapar desse passado, de parar de viver nessas lembranças e, no caso das mulheres no deserto do Atacama e dos astrônomos, são movidos, respectivamente, pela necessidade dar um descanso merecido entes queridos e pela curiosidade, ambos movidos pela necessidade de respostas.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário