domingo, 17 de novembro de 2013

Dupla: André Loureiro e Fernanda Vasconcelos 3º A

Os filmes Nostalgia da Luz (Chile), Gigante (Uruguai) e Um Conto Chinês (Argentina) foram assistidos durante a Semana Marista de Arte e Cultura (SEMAC) e fizeram parte de um projeto denominado O Cinema dos Hermanos.
Apesar de serem de países diferentes, os três longas-metragens possuem uma forte relação entre si, pois ambos fazem referencia ao passado. Em Nostalgia da Luz, há uma constante citação do passado a partir das personagens do filme. Os astrônomos, olhando para o céu, buscam explicações para a origem do universo; as mulheres que procuram pelos restos de seus entes queridos que faleceram durante a ditadura chilena; e os arqueólogos que tentam, por meio de vestígios, explicar como viveram os primeiros habitantes do local. Em Um Conto Chinês, o passado também esta muito presente em várias partes da narrativa. Nas lembranças que Roberto possui da sua família; nas memórias que Jun, o chinês, possui da sua noiva, que morreu em um trágico acidente causado pela queda de uma vaca; e nas recordações que Mari possui do seu romance com Roberto.
Outro ponto em comum entre os filmes é a rotina diária em que seus personagens estão inseridos. Em Gigante, Jarita, personagem principal, possui uma vida bastante monótona resumida em ir para o supermercado onde trabalha durante a noite como segurança noturno e voltar para casa enquanto espera um novo dia de trabalho. Sua rotina começa a mudar quanto ele passa a seguir Júlia, umas das funcionárias da limpeza pela qual ele se apaixona. No filme Um Conto Chinês o personagem principal, Roberto, também possui uma vida repetitiva, em que todos os dias ele acorda sempre no mesmo horário, toma o mesmo café da manha, vai para sua loja, conta a quantidade de parafusos dentro das caixas, recebe o jornal, retorna para casa e dorme sempre às 23 horas. Em Nostalgia da Luz, a rotina está presente nas mulheres que buscam dia e noite por pistas que as levem até o esqueleto dos seus familiares desaparecidos na época do governo do ditador Augusto Pinochet.
Além disso, nos filmes Um Conto Chinês e Nostalgia da Luz, há personagens que aparentam ter parado no tempo. No primeiro, Roberto sofre uma reviravolta na sua vida após ele retornar da Guerra das Malvinas, entre Argentina e Inglaterra, e perceber que seu pai havia falecido. A partir daí, ele passa um homem solitário e começar a entrar na rotina citada no parágrafo anterior. No segundo, as personagem que pararam no tempo foram as mulheres do deserto, pois, mesmos após vários anos, elas ainda permanecem presas nessa busca incessante para encontrar os corpos dos seus entes queridos.
Também pode se apontar como relação entre os filmes, a persistência das personagens. Em Nostalgia da Luz, alem das mulheres do deserto, há os astrônomos que tentam achar, na imensidão do universo, respostas para vários questionamentos antigos da humanidade, como a origem de todo o cosmos e como será nosso futuro. Em gigante, a persistência está presente em Jarita, pois motivado pelo seu amor por Júlia, ele passa a segui-la para tentar conhecê-la na esperança de que um dia eles possam formar um
casal. Em Um Conto Chinês, essa procura está presente em Roberto e Jun, que, mesmo com todas as adversidades, eles tentam juntos encontrar o tio de Jun.
Outra semelhança entre o filme Um Conto Chinês e Gigante está presente no final dos dois filmes, pois em ambos há a formação de um novo casal na ultima cena. No primeiro, esse novo par romântico é formado por Roberto e Mari. Apesar de essa paixão entre os dois só se concretizar no fim do longa-metragem, o amor entre os dois já podia ser percebido durante toda a construção da história. Já em Gigante, a duvida de se eles vão ou não formar um casal só desaparece na ultima cena do filme, pois até esse momento, Jarita e Julia ainda não haviam trocado uma palavra entre si.
A morte também está presente tanto no filme Um Conto Chinês quanto em Nostalgia da Luz. O primeiro já começa com o acidente em que a noiva de Jun faleceu. Nele também há referências à morte do pai e da mãe de Roberto. No segundo, a morte se faz presente na figura das mulheres do deserto que convivem diariamente com o “fantasma” do falecimento de seus familiares durante a ditadura chilena.
Portanto, os três filmes apesar de no início os filmes aparentarem não possuir grande relação um com o outro, os três longas-metragens apresentam muitas semelhanças entre si, que vão desde a forma de como esses longas-metragens são produzidos até a maneira de como os personagens são construídos no decorrer dos enredos.

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