Os filmes
Nostalgia da Luz (Chile), Gigante (Uruguai) e Um Conto Chinês
(Argentina) foram assistidos durante a Semana Marista de Arte e Cultura
(SEMAC) e fizeram parte de um projeto denominado O Cinema dos Hermanos.
Apesar
de serem de países diferentes, os três longas-metragens possuem uma
forte relação entre si, pois ambos fazem referencia ao passado. Em
Nostalgia da Luz, há uma constante citação do passado a partir das
personagens do filme. Os astrônomos, olhando para o céu, buscam
explicações para a origem do universo; as mulheres que procuram pelos
restos de seus entes queridos que faleceram durante a ditadura chilena; e
os arqueólogos que tentam, por meio de vestígios, explicar como viveram
os primeiros habitantes do local. Em Um Conto Chinês, o passado também
esta muito presente em várias partes da narrativa. Nas lembranças que
Roberto possui da sua família; nas memórias que Jun, o chinês, possui da
sua noiva, que morreu em um trágico acidente causado pela queda de uma
vaca; e nas recordações que Mari possui do seu romance com Roberto.
Outro
ponto em comum entre os filmes é a rotina diária em que seus
personagens estão inseridos. Em Gigante, Jarita, personagem principal,
possui uma vida bastante monótona resumida em ir para o supermercado
onde trabalha durante a noite como segurança noturno e voltar para casa
enquanto espera um novo dia de trabalho. Sua rotina começa a mudar
quanto ele passa a seguir Júlia, umas das funcionárias da limpeza pela
qual ele se apaixona. No filme Um Conto Chinês o personagem principal,
Roberto, também possui uma vida repetitiva, em que todos os dias ele
acorda sempre no mesmo horário, toma o mesmo café da manha, vai para sua
loja, conta a quantidade de parafusos dentro das caixas, recebe o
jornal, retorna para casa e dorme sempre às 23 horas. Em Nostalgia da
Luz, a rotina está presente nas mulheres que buscam dia e noite por
pistas que as levem até o esqueleto dos seus familiares desaparecidos na
época do governo do ditador Augusto Pinochet.
Além disso, nos
filmes Um Conto Chinês e Nostalgia da Luz, há personagens que aparentam
ter parado no tempo. No primeiro, Roberto sofre uma reviravolta na sua
vida após ele retornar da Guerra das Malvinas, entre Argentina e
Inglaterra, e perceber que seu pai havia falecido. A partir daí, ele
passa um homem solitário e começar a entrar na rotina citada no
parágrafo anterior. No segundo, as personagem que pararam no tempo foram
as mulheres do deserto, pois, mesmos após vários anos, elas ainda
permanecem presas nessa busca incessante para encontrar os corpos dos
seus entes queridos.
Também pode se apontar como relação entre os
filmes, a persistência das personagens. Em Nostalgia da Luz, alem das
mulheres do deserto, há os astrônomos que tentam achar, na imensidão do
universo, respostas para vários questionamentos antigos da humanidade,
como a origem de todo o cosmos e como será nosso futuro. Em gigante, a
persistência está presente em Jarita, pois motivado pelo seu amor por
Júlia, ele passa a segui-la para tentar conhecê-la na esperança de que
um dia eles possam formar um
casal. Em Um Conto Chinês, essa
procura está presente em Roberto e Jun, que, mesmo com todas as
adversidades, eles tentam juntos encontrar o tio de Jun.
Outra
semelhança entre o filme Um Conto Chinês e Gigante está presente no
final dos dois filmes, pois em ambos há a formação de um novo casal na
ultima cena. No primeiro, esse novo par romântico é formado por Roberto e
Mari. Apesar de essa paixão entre os dois só se concretizar no fim do
longa-metragem, o amor entre os dois já podia ser percebido durante toda
a construção da história. Já em Gigante, a duvida de se eles vão ou não
formar um casal só desaparece na ultima cena do filme, pois até esse
momento, Jarita e Julia ainda não haviam trocado uma palavra entre si.
A
morte também está presente tanto no filme Um Conto Chinês quanto em
Nostalgia da Luz. O primeiro já começa com o acidente em que a noiva de
Jun faleceu. Nele também há referências à morte do pai e da mãe de
Roberto. No segundo, a morte se faz presente na figura das mulheres do
deserto que convivem diariamente com o “fantasma” do falecimento de seus
familiares durante a ditadura chilena.
Portanto, os três filmes
apesar de no início os filmes aparentarem não possuir grande relação um
com o outro, os três longas-metragens apresentam muitas semelhanças
entre si, que vão desde a forma de como esses longas-metragens são
produzidos até a maneira de como os personagens são construídos no
decorrer dos enredos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário