domingo, 17 de novembro de 2013

Dupla: Antônio Almeida e Gabriela Brito 3ºB

Durante a Semana de Arte, Cultura e Conhecimento (SEMACC), do Colégio Marista Pio X, foi promovido o projeto “O Cinema dos Hermanos”. Nesse momento, foram assistidos os filmes: Nostalgia da Luz, O Gigante e Um conto chinês”. Uma das marcas em comum desses filmes é o rompimento com o cinema de Hollywood uma vez que há uma valorização da simplicidade e a produção sem exageros e adornos.
O documentário chileno “Nostalgia da Luz” (2010), dirigido por Patrício Guzmán, retrata alguns efeitos do Regime de Augusto Pinochet (1973-1990) para muitas famílias que tiveram seus entes torturados e desaparecidos, e, ainda hoje, procuram os restos materiais de objetos e de partes dos corpos. O longa relaciona a astronomia e a arqueologia, ao comparar a busca por indícios da evolução, através dos cosmos tão distantes, e os vestígios, como fósseis, presentes na própria terra. Essa relação é evidenciada na passagem do filme em que se interliga o cálcio que forma as estrelas ao o mesmo cálcio que compõe os nossos ossos.
Já o filme ficcional argentino “Um Conto Chinês” (2011), dirigido por Sebastián Borensztein e estrelado por Ricardo Darín, mostra a história de Roberto, um homem solitário e preso amargamente à sua rotina. No entanto, sua vida toma outro rumo com a chegada de Jun, um chinês que vai à Argentina à procura de um tio após ter acontecido um fato inusitado em sua vida: uma vaca caiu sobre a cabeça de sua noiva, matando-a. A entrada de Jun despertou uma sensibilidade em Roberto, até então desacreditado no real sentido da existência.
Ambos os filmes, apesar da divergência quanto ao formato, (o primeiro trata-se de um documentário real e o segundo de uma ficção baseada em um fato real e curioso ocorrido na China), aproximam-se na relação com o passado. Isso é visível tanto em Roberto, que vive as lembranças dos pais que já faleceram, como nas esposas e irmãs das vítimas da Ditadura Chilena, que procuram há anos no deserto do Atacama alguma recordação, e também nos astrônomos, que pesquisam a origem da vida e o funcionamento dos corpos celestes.
Nos dois longas a presença da rotina é marcante. Em “Nostalgia da Luz”, as mulheres expressam a sensação de obrigação de encontrar os restos de seus parentes no deserto há tantos anos. Já em “Um conto Chinês”, Roberto cultiva as mesmas ações: o trabalho na sua loja de ferramentas, a coleção de notícias bizarras que o pai fazia e de objetos de vidro que a mãe
tinha, e o deitar sempre às vinte e três horas. Além disso, Roberto encontra-se tão preso ao cotidiano e ao tempo, que não percebe as oportunidades que perdeu. Fecha-se para o amor, desprezando Mari, uma moça filha de seu amigo, que tenta um relacionamento com ele.
Outra característica de forte presença nos filmes é a esperança associada à persistência. Em "Um Conto Chinês" pode-se observar esse fato na procura pelo tio de Jun, uma vez que o chinês estava sozinho e não sabia sequer falar o idioma local. Já em “Nostalgia da Luz”, de forma esperançosa, porém triste, há a expectativa de encontrar pequenos pedaços que levem as mulheres à memória de seus familiares, mesmo que não os tragam de volta, interligada a um posterior sentimento de alívio e dever cumprido, caso a procura se efetive.
Entretanto, o fator mais impactante entre os dois filmes que deve ser ressaltado é o humanismo. No documentário, ele é visto claramente com a importância que se dá para as lembranças de família e ao mesmo tempo ao não esquecimento dos horrores da ditadura. Na ficção, Jun desperta em Roberto preocupação, cuidado e vontade de ajudar. Além de fazê-lo procurar mudar de vida, entregando-se para mundo e para aqueles que com ele se importam. Além disso, ambos os filmes retratam dois acontecimentos históricos que desestabilizaram milhares de famílias. Em “Nostalgia da Luz” está presente nos efeitos da Ditadura de Pinochet (que levou à situação daquelas mulheres, citada nos parágrafos anteriores). Já em “Um Conto Chinês”, mostra-se as consequências da Guerra das Malvinas para Roberto, que após a morte dos pais praticamente deixou de viver.
O filme uruguaio “O Gigante” apresenta algumas semelhanças em comum com as já citadas entre os outros filmes. Nele, o segurança de supermercado Jarita, acostumado com uma vida monótona e sedentária, transforma-se completamente ao se apaixonar por uma funcionária da limpeza apenas observando-a pelas câmeras de segurança. O rapaz muda a sua rotina e passa a viver em função da moça, como em “Nostalgia da Luz”, em que a necessidade de encontrar o passado é a principal atividade, tanto para a astronomia, como para a arqueologia e para as mulheres. Também é notável a persistência das mulheres com a de Jarita, que mesmo ao se impressionar com a vida equilibrada de Julia, luta para estar ao lado dela.

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