segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Dupla: Nathália Ramalho e Michel Rocha 3ºC

Exibidos no festival Semana Marista de Arte, Cultura e Conhecimento, os filmes “Um Conto Chinês”, “O Gigante” e “Nostalgia da Luz” fazem nós refletimos sobre como os seres humanos buscam sua humanidade das mais variadas formas, seja através da ciência, da amizade ou do amor.
Um Conto Chinês, dirigido pelo aclamadíssimo diretor Sebastián Borensztein, nos leva a uma reflexão de como pessoas totalmente estranhas entre si podem modificar suas vidas ao acaso. Com a participação do renomado ator Ricardo Darín como Roberto, um ex-fuzileiro da guerra das Malvinas e órfão de pai e mãe, que sobrevive através de sua pequena loja de ferramentas, sempre evitando qualquer contato humano possível. Que tem sua rotina quebrada com a chegada de um chinês desolado com a perda de sua noiva em um drástico acidente de vaca (acontecimento baseado em fatos reais). Logo no início vê-se a cena da vaca matando a mulher como um pressagio para novos acontecimentos inesperados que mudariam a vida de todos. Nesse enredo envolvente e cativante o espectador deleita-se por belas paisagens tanto chinesas quanto argentinas visto que a fotografia foi tida como essência da produção. Quem vê Roberto no final do filme não o reconhece do início, pois cada gesto movido por ele no decorrer da obra contribui para entendemos como ele foi mudando com a presença do novo hospede.
O premiadíssimo filme O Gigante do diretor Adrián Biniez tem como o principal objetivo a busca pelo romantismo masculino, no personagem de Jara representado pelo ator Horacio Camandule. O filme de origem no Uruguai possui como personagem principal Jara, um tímido segurança de supermercado, que se descobre apaixonado pela faxineira do seu local de trabalho Julia. Ele passar a observar toda a vida da faxineira através das câmeras de segurança. Seguindo-a na sua vida particular, enquanto ela vai a um cinema ou durante um encontro com outro homem, a fim de conhecê-la melhor. E por conta dessa paixão e da observação da vida de Julia ele acaba se metendo em grandes confusões, como ao ser demitido do seu emprego. Entretanto, após toda essa vigilância ele descobre vários pontos em comum com sua amada, já que seus gostos são muito parecidos com os dela.
O documentário Nostalgia da Luz, ambientado no deserto do Atacama, é dirigido e narrado por Patricio Guzmán. Ele tem como o principal objetivo levar a uma reflexão das questões políticas e sociais do Chile, como a ditadura. O valor da memória é o ponto mais importante do documentário. Tanto os astrônomos que trabalham explorando o céu na procura de galáxias em busca de vida extra-terrestre, quanto arqueólogos que estudam fosseis de múmias e outras relíquias pré-colombianas, quanto mulheres que ainda procuram vestígios dos corpos de seus parentes mortos durante a ditadura tem o mesmo sentido da busca de respostas para os mistérios que circundam os terrestres.
Ambos filmes representam pessoas que tendem a ficar parados no tempo como em uma inércia até que uma força age sobre eles fazendo mudar seu modo de viver, de enxergar o mundo e dando uma esperança de um futuro melhor em suas vidas. Os personagens fazem uma busca em seus primórdios de uma humanidade inerente a todos nós, que nos faz mover e seguir em frente nessa batalha constante pela sobrevivência da essência fundamental. A solidão é abordada centralmente em ambas as obras que leva a refletirmos sobre como as sociedades modernas causam esse mal social aos seus conviventes. A aparição dos personagens inesperados causa um relaxamento a angustia causada pelos telespectadores que se viam sem esperança para o futuro dos protagonistas. A busca por respostas e especialmente abordado em Nostalgia da luz, pois esses mistérios do passado e do presente nas relações astronômicas e ditatoriais fazem-se valer da busca na humanidade inerente as três obras latino-americanas.

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