Exibidos no festival Semana Marista de Arte, Cultura e Conhecimento,
os filmes “Um Conto Chinês”, “O Gigante” e “Nostalgia da Luz” fazem nós
refletimos sobre como os seres humanos buscam sua humanidade das mais
variadas formas, seja através da ciência, da amizade ou do amor.
Um
Conto Chinês, dirigido pelo aclamadíssimo diretor Sebastián
Borensztein, nos leva a uma reflexão de como pessoas totalmente
estranhas entre si podem modificar suas vidas ao acaso. Com a
participação do renomado ator Ricardo Darín como Roberto, um
ex-fuzileiro da guerra das Malvinas e órfão de pai e mãe, que sobrevive
através de sua pequena loja de ferramentas, sempre evitando qualquer
contato humano possível. Que tem sua rotina quebrada com a chegada de um
chinês desolado com a perda de sua noiva em um drástico acidente de
vaca (acontecimento baseado em fatos reais). Logo no início vê-se a cena
da vaca matando a mulher como um pressagio para novos acontecimentos
inesperados que mudariam a vida de todos. Nesse enredo envolvente e
cativante o espectador deleita-se por belas paisagens tanto chinesas
quanto argentinas visto que a fotografia foi tida como essência da
produção. Quem vê Roberto no final do filme não o reconhece do início,
pois cada gesto movido por ele no decorrer da obra contribui para
entendemos como ele foi mudando com a presença do novo hospede.
O
premiadíssimo filme O Gigante do diretor Adrián Biniez tem como o
principal objetivo a busca pelo romantismo masculino, no personagem de
Jara representado pelo ator Horacio Camandule. O filme de origem no
Uruguai possui como personagem principal Jara, um tímido segurança de
supermercado, que se descobre apaixonado pela faxineira do seu local de
trabalho Julia. Ele passar a observar toda a vida da faxineira através
das câmeras de segurança. Seguindo-a na sua vida particular, enquanto
ela vai a um cinema ou durante um encontro com outro homem, a fim de
conhecê-la melhor. E por conta dessa paixão e da observação da vida de
Julia ele acaba se metendo em grandes confusões, como ao ser demitido do
seu emprego. Entretanto, após toda essa vigilância ele descobre vários
pontos em comum com sua amada, já que seus gostos são muito parecidos
com os dela.
O documentário Nostalgia da Luz, ambientado no
deserto do Atacama, é dirigido e narrado por Patricio Guzmán. Ele tem
como o principal objetivo levar a uma reflexão das questões políticas e
sociais do Chile, como a ditadura. O valor da memória é o ponto mais
importante do documentário. Tanto os astrônomos que trabalham explorando
o céu na procura de galáxias em busca de vida extra-terrestre, quanto
arqueólogos que estudam fosseis de múmias e outras relíquias
pré-colombianas, quanto mulheres que ainda procuram vestígios dos corpos
de seus parentes mortos durante a ditadura tem o mesmo sentido da busca
de respostas para os mistérios que circundam os terrestres.
Ambos
filmes representam pessoas que tendem a ficar parados no tempo como em
uma inércia até que uma força age sobre eles fazendo mudar seu modo de
viver, de enxergar o mundo e dando uma esperança de um futuro melhor em
suas vidas. Os personagens fazem uma busca em seus primórdios de uma
humanidade inerente a todos nós, que nos faz mover e seguir em frente
nessa batalha constante pela sobrevivência da essência fundamental. A
solidão é abordada centralmente em ambas as obras que leva a refletirmos
sobre como as sociedades modernas causam esse mal social aos seus
conviventes. A aparição dos personagens inesperados causa um relaxamento
a angustia causada pelos telespectadores que se viam sem esperança para
o futuro dos protagonistas. A busca por respostas e especialmente
abordado em Nostalgia da luz, pois esses mistérios do passado e do
presente nas relações astronômicas e ditatoriais fazem-se valer da busca
na humanidade inerente as três obras latino-americanas.
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